Marcas citadas por IA têm 2,5x mais visitas, diz estudo
Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial, surgiu uma nova dúvida para quem empreende: como medir o impacto de uma marca quando ela é citada em uma resposta de IA, mas o usuário não clica no link?
Será que essa recomendação faz o usuário ir buscar no Google? Ela aumenta as chances da marca ser escolhida em vez dos concorrentes?
Até pouco tempo, não havia dados concretos para responder a essas perguntas.
Esse cenário começou a mudar com a publicação do estudo The Downstream Impact of AI Visibility, da Similarweb.
A pesquisa analisou como as recomendações feitas por ferramentas de IA influenciam o comportamento dos usuários e trouxe dados inéditos sobre o impacto da visibilidade em IA ao longo da jornada de compra.
Entenda com a Quality SMI os principais resultados do estudo e o que eles significam para as estratégias de SEO e presença digital.
O que envolve o estudo que mensurou as marcas citadas por IA?
O estudo foi baseado em dados de clickstream de um painel de usuários de desktop dos Estados Unidos, coletados entre julho e dezembro de 2025, além de uma pesquisa complementar realizada em janeiro de 2026.
A análise acompanhou o estudo do comportamento de usuários que receberam recomendações de marcas pelo ChatGPT em três setores: finanças, viagens e beleza.
Segmento | Marcas analisadas no estudo | Motivo da comparação |
Finanças | American Express vs Capital One | Concorrentes diretos no setor financeiro |
Viagens | Skyscanner vs Kayak | Plataformas concorrentes de busca de viagens |
Beleza | Sephora vs Ulta | Varejistas concorrentes de cosméticos e beleza |
Para medir apenas o impacto da recomendação da IA, a Similarweb excluiu usuários que já haviam visitado a marca nas quatro semanas anteriores e também conversas em que o próprio usuário mencionava o nome da empresa no prompt.
Para mais veracidade, a pesquisa avaliou apenas situações em que a marca foi apresentada pela IA a pessoas que, provavelmente, ainda não a tinham em mente.
O principal resultado foi que marcas citadas por IA tiveram 2,5 vezes mais chances de receber uma visita ao site nos sete dias seguintes em comparação com concorrentes que não foram indicados.
Esse dado não mede o comportamento de usuários que já conheciam a empresa, mas sim o efeito da recomendação da IA sobre a descoberta e o interesse por novas marcas.
Se você quer entender como ser citado pela IA, os dados abaixo mudam o referencial.
O que foi medido | Dado |
Período de análise | Julho a dezembro de 2025 |
Origem dos dados | Painel de clickstream opt-in (desktop, EUA) |
Setores analisados | Finanças, viagens e beleza |
Janela de conversão | 7 dias após a recomendação |
Probabilidade de visita | 2,5x maior para marcas recomendadas |
O dado que a maioria das coberturas está ignorando
Grande parte do que foi escrito sobre esse estudo focou no 2,5x e faz sentido: o número é impactante, fácil de compartilhar e fácil de entender.
O problema é que ele esconde o achado mais estratégico da pesquisa.
De acordo com a Similarweb, 55,9% das visitas influenciadas pelo ChatGPT vieram da busca, contra 40,4% das visitas do público geral.
O tráfego direto caiu na direção oposta: 19,9% entre os influenciados por IA, contra 38,8% nas demais origens.
Deixando de forma mais simples, quando o ChatGPT recomenda uma marca, a maioria dos usuários não clica em nenhum link.
Eles abrem o Google e buscam o nome da empresa;
O assistente cria a demanda; a busca é onde ela se materializa.
Isso tem uma implicação direta para quem trabalha com métricas de marketing e entender como medir GEO ajuda a identificar esse impacto indireto da IA na busca orgânica.
O impacto da recomendação de IA não aparece no Google Analytics como "tráfego do ChatGPT", essas informações não são claras.
Ele aparece como busca orgânica, especificamente como brand citations, para quem analisa o dashboard sem esse contexto, a IA some da atribuição e o SEO recebe crédito por uma demanda que ele não gerou sozinho.
Qual é o perfil do visitante que chega via IA?
O estudo também comparou o comportamento dentro dos sites após a visita. Os resultados são consistentes com o padrão de tráfego qualificado:
Métrica de engajamento | Visitantes influenciados por IA | Demais visitantes |
Páginas por sessão | 12 páginas | 6,5 páginas |
Tempo de permanência | 11,8 minutos | 5,6 minutos |
A Similarweb faz uma ressalva explícita no relatório: os dados mostram correlação, não causalidade.
A empresa não afirma que a recomendação do ChatGPT causou o maior engajamento, mas sim que esses dois fenômenos coexistem.
A hipótese mais plausível é funcional, quem chegou ao site via recomendação de IA já passou por uma etapa de triagem na conversa com o assistente.
Quando esse usuário aterrissa na página, ele chega com intenção mais definida.
O resultado são sessões mais longas, mais páginas visitadas e, provavelmente, taxas de conversão acima da média do canal.
Se isso se confirmar em análises futuras com dados de conversão, a visibilidade em IA vai parar de ser tratada como métrica de branding e começar a ser cobrada como métrica de performance.
Os resultados da IA não são estáveis
Rand Fishkin, da SparkToro, contribuiu com análises para o relatório e o que ele trouxe complica o otimismo em torno da visibilidade em IA generativa.
Em pesquisa publicada em janeiro de 2026, Fishkin documentou que ferramentas de IA recomendam marcas diferentes quando a mesma pergunta é repetida.
A consistência é baixa, então uma marca pode aparecer como primeira indicação numa conversa e não aparecer em nenhuma das seguintes com o mesmo prompt.
12 perguntas foram testadas para mensurar as recomendações de:
Facas de chefs;
Fones de ouvidos;
Hospitais de tratamento de câncer;
Romances de ficção científica e;
Consultores de Marketing digital
E cada uma dessas perguntas foram feitas de 60 a 100 vezes por plataforma.
O Fishkin concluiu que:
Se você pedir recomendações de marcas/produtos a uma ferramenta de IA cem vezes, quase todas as respostas serão únicas.
Isso significa que a visibilidade em IA, ao contrário de uma posição conquistada no Google, não funciona como um resultado estável e previsível.
É mais próxima da mídia espontânea, que quando acontece, o efeito é real e mensurável, só que não é garantia de que vai continuar na próxima pergunta.
O cenário fica mais complexo quando se olha para a concentração de mercado, o domínio do ChatGPT no tráfego gerado por IA caiu de 76,4% para 52,7% ao longo do último ano.
O Google Gemini absorveu boa parte dessa diferença, quem está otimizando exclusivamente para o ChatGPT está, hoje, trabalhando para menos da metade do mercado de IA, num mercado que continua se fragmentando.
O que muda a partir de agora?
A leitura conjunta do estudo da Similarweb com os dados de Fishkin aponta que a visibilidade em IA gera demanda real, mas ela transita pela busca antes de chegar ao site e é na busca onde essa demanda é capturada ou perdida.
Se um concorrente está comprando anúncios com o nome da sua marca como palavra-chave, cada recomendação que a IA faz de você pode estar gerando tráfego para ele.
O usuário pesquisa seu nome no Google, clica no primeiro resultado pago e vai parar num site que não é o seu, não é uma hipótese.
A Similarweb pretende expandir o estudo para dispositivos móveis e outras categorias de negócio.
E o que aprendemos com isso tudo?
As recomendações feitas por ferramentas como ChatGPT influenciam sim as etapas iniciais da decisão de compra.
Essa influência costuma aparecer depois, em forma de pesquisas pelo nome da marca, visitas ao site e maior engajamento nas sessões.
Entender as diferenças entre SEO e GEO passou a ser parte da estratégia de empresas que querem aumentar sua visibilidade tanto nos buscadores quanto nas ferramentas de IA.
A jornada do usuário já atravessa os dois ambientes e esse estudo documenta isso com dados.
Se esse tema faz parte da sua estratégia, compartilhe este conteúdo com alguém que precisa entender como as marcas estão sendo impactadas pela IA.
FAQ
1. Como uma marca pode aumentar as chances de ser citada por ferramentas de IA?
As ferramentas de IA costumam priorizar informações encontradas em fontes confiáveis, atualizadas e com boa autoridade. Produzir conteúdo de qualidade, fortalecer a presença da marca na web e investir em estratégias de SEO e GEO contribuem para aumentar as chances de uma empresa aparecer nas respostas desses assistentes.
2. As visitas vindas de recomendações de IA aparecem no Google Analytics?
Na maioria dos casos, não de forma direta. Quando um usuário recebe uma recomendação em uma IA e depois pesquisa o nome da empresa no Google, a visita normalmente é registrada como busca orgânica ou acesso direto. Por isso, analisar apenas a origem do tráfego pode ocultar parte da influência da IA na jornada do usuário.
3. Qual é a diferença entre SEO e GEO?
SEO (Search Engine Optimization) busca melhorar o posicionamento de páginas em mecanismos de busca, como o Google. Já o GEO (Generative Engine Optimization) reúne estratégias voltadas para aumentar a probabilidade de uma marca ser mencionada por ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Gemini e outros assistentes.
4. Ser citado pela IA garante que a marca aparecerá em todas as respostas?
Não. As respostas geradas por ferramentas de IA podem variar mesmo quando a mesma pergunta é repetida. Fatores como atualização do modelo, contexto da conversa e diversidade de fontes utilizadas influenciam quais marcas serão mencionadas.
5. Quais métricas ajudam a identificar o impacto da IA na estratégia digital?
Além do tráfego de referência proveniente de plataformas de IA, vale acompanhar indicadores como crescimento das buscas pela marca, aumento das visitas orgânicas de branded search, volume de menções da empresa em respostas de IA e métricas de engajamento dos usuários que chegam ao site após essas interações

